sábado, 9 de dezembro de 2017

Eu estava justamente pensando em você (2014): Análise

A física e a química a serviço da sétima arte

Contém spoilers

Esse é um filme estadunidense de 2014 com 90 minutos de duração, com raízes no drama, na comédia e no romance, escrito e dirigido por Sam Esmail (diretor da série Mr. Robot). Conta a história de Kimberly (Emmy Rossum) e Dell (Justin Long), que se conhecem numa chuva de meteoros, passando por vários momentos do relacionamento dos dois, entre términos e recomeços.  A trama não nos é apresentada em ordem cronológica, com uma montagem ideológica: perpassa por vários momentos do relacionamento, entrecortando os planos.  Nesse ponto, se parece com “500 Dias Com Ela”, mas diferente desse, aqui não há qualquer alusão à que ponto do relacionamento estamos,  senão algumas pistas deixadas pelos diálogos das personagens.  Nem mesmo a caracterização dos atores ajuda nesse aspecto, artifícios como barba e cicatrizes, comumente usados para demarcar tempo, não estão aqui. Há um momento em que os dois se reencontram e ela cita o casamento de uma amiga como a última vez que se viram, quando teve uma grande discussão entre eles, ainda não mostrada no filme. Em outro momento ele fala sobre esse reencontro e quando desceram em uma cidade diferente do planejado, antes do trem descarrilhar, algo também não mostrado ainda, e assim em vários outros momentos. O único momento certo no tempo é quando se conheceram.  Ele fica extasiado com a beleza dela e quase é atropelado por um carro, quando ela então o salva de ser atingido por ele. Nesse momento há uma alusão ao filme “O Sexto Sentido” e como ele passa a trama inteira sem saber que está morto, como se houvesse a possibilidade de que Dell tivesse morrido naquele momento e tudo que se seguisse fosse fruto da sua mente. Também é desse ponto que vem outro ponto importante para a trama: Dell diz que todo relacionamento, que dure muito ou pouco tempo, precisa de uma mentira. A dele seria quando diz não ter visto “O Sexto Sentido” , o que ele desmente ainda no mesmo dia. Ela tenta contar uma em seguida, dizendo que foi estuprada na escola, mas ele logo a desmascara e diz que para cair na mentira precisa que ela conte num momento que ele não espere. Assim, no final, numa cena em que Kimberly e Dell estão separados e se revém após um longo tempo, ele conclui que ela está infeliz no seu relacionamento com Jack por ter tentado esconder dele o fato de estar noiva, se vestido de forma sensual para impressioná-lo, estar com olheiras de quem não dorme há muito tempo (e segundo ele, ela seria capaz de dormir durante uma guerra) e por estar ouvindo Roxette (algo que fez pouco antes do último término deles). Mas Kim diz que só queria mostrar a ele como foi importante namorá-lo para o seu amadurecimento, além estar grávida do seu noivo, a quem diz amar muito, refutando o argumento do ex de que estariam para se separar. Mas há poucos minutos do final do filme, ela fala o nome de Dell como se fosse lhe contar algo, talvez que estivesse mentindo, mas ele a interrompe e diz precisar pensar por um momento.  Vemos então os protagonistas parados, um em cada canto da tela, e dois sóis no céu, até que ele se aproxima para beijá-la e então o filme acaba, sem mostrar o que se sucede.  O interessante nesse ponto é que remete a um momento anterior da obra, quando Kim diz não gostar muito do tempo. Nessa cena, ela diz que preferia congelá-lo em algumas situações, ou então acabar com ele definitivamente.  “Kim: ... - Olha, é por isso que eu odeio o tempo... - Eu gostaria de poder pará-lo ou algo do tipo. Ou, pelo menos, apenas pausá-lo quando necessário, como agora. Ou melhor ainda, se livrar completamente dele. Dell:  - Você quer se livrar do tempo? Como você faria isso? Kim: - Você sabe que existe arte baseada em tempo? Filmes, músicas, teatro, tudo é arte baseada no tempo. Há um começo, um meio e um fim. Você tem que acompanhar do início até o fim. Você está sujeito ao cronograma. Preso a essa experiência. Mas daí existem essas obras de arte. Sem começo, sem meio, sem fim. Você vê o que quer ver e quando quer ver.  Sem restrições. Ela tá sempre lá. Dell: - Tudo bem, então você quer que a vida seja um quadro? Ótimo.” Um quadro. E é justamente o que a cena se parece. Isso também parece explicar em parte a narrativa não-linear do diretor. Nas obras de arte, incluindo filmes, é onde o tempo pode ser analisado de uma forma diferente da vida real, podendo ir e vir em ações e sequências separadas por anos, revelando e ocultando fatos, fazendo uso do mistério, de perspectivas e ideias que não funcionariam numa simples transcrição da realidade, em obras atemporais, que sempre poderão ser assistidas pelo público e produzir sentido nele, como uma parte dessa engrenagem, que só existe enquanto filme. Outra fala importante do filme é quando Kim diz estar lendo um livro, sobre um médico que ajuda uma paciente grávida de Hitler (o que muda consideravelmente o peso e o rumo da história), e quando Dell diz que ela já leu o livro por saber o final, ela responde que às vezes o importante não é o final. O que deve contar então é a experiência. Outro ponto importante está no começo do filme,  como uma espécie de introdução ao conto: “Os seguintes eventos ocorreram ao longo de seis anos (alguns em um universos paralelo)”.  Assim, além de não poder datar os acontecimentos do filme, também não se sabe se fazem parte de um mesmo universo ou são algumas variações. Esses pensamentos sobre universo, além de estarem no título do filme (o título original é “Comets”, a palavra que Dell mais gosta segundo ele, o título em português faz alusão a uma fala de Kim quando se reencontram após muito tempo, antes da viagem de trem), também está na edição: o filme não apenas corta de um  plano para outro, mas sobrepõe as imagens, às vezes com uma espécie de chuvisco, o que torna a cena surreal de certo modo e  deixa o espectador confuso.  Há também um bom trabalho na fotografia, com uso de cores claramente não naturais mas de forma intencional, ora muito claras ora muito vívidas, causando impacto e um ar de mistério no público. Há também um monólogo perto do final, onde Dell diz: “Me sinto como se eu estivesse no mundo errado, porque não pertenço há um mundo em que não terminamos juntos. Existem universos paralelos por aí onde isso não aconteceu. Onde eu estava com você e você estava comigo. E seja qual for o universo, é esse em que meu coração vive.”. Um pouco antes disso, Dell também revela que sonhou com ela na noite passada, revivendo várias partes do relacionamento deles (cenas que parecem coincidir com o filme), além de ter sonhado com aquele reencontro que até então não havia acontecido, repetindo as mesmas falas de lá. Ela então diz que ele ainda pode estar sonhando. No sonho ele diz que ia beijá-la mas antes dos lábios se tocarem ele acorda (justamente o corte final do filme), e embora tenha tentado voltar a sonhar outras vezes, acabou não conseguindo. Assim, há a possibilidade de tudo não passar de um sonho quando na verdade não houve esse reencontro, dele ter morrido atropelado por aquele carro quando a viu pela primeira vez, dela estar mentindo sobre a gravidez e aquele ser o universo paralelo em que terminam juntos, dela não estar mentindo e de fato amar seu noivo de quem espera um filho. Interessante também que, embora no sonho acontecesse tudo da mesma forma, ele parece surpreso ao saber da gravidez.  O filme se utiliza bastante de cortes bruscos, até no meio de diálogos, retornando a eles ou não. Também não mostra um grande mosaico do relacionamento dos protagonistas, focando apenas em momentos-chave dessa (des)união.  Há uma grande diferença entre os protagonistas: ele é mais ´cético, não acredita no amor, sempre está preocupado com o futuro, é narcisista e se acha o dono da verdade. Ela é romântica, quer casar, ter filhos, gosta de viver o momento, bastante sensível. É uma história bem peculiar (o primeiro beijo vem após ele dizer “onde está a porra do meu dinheiro”, por exemplo), as situações esquisitas de algum jeito charmoso, o ritmo embora pouco fluído não impede a imersão de quem assiste, há um carisma peculiar nos personagens, bons diálogos, mudanças de pensamento, além de pontas soltas que se emaranham. E para a confusão narrativa, há recompensa para quem assiste com boa vontade.

PS: Cadê a merda do dinheiro?

Nota: 10.0

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terça-feira, 14 de novembro de 2017

Corra, Lola, Corra (1998): Crítica

O namorado de Lola lhe liga e diz ter esquecido 100 mil em alguma unidade monetária no trem, e agora um gangster que o mandou para o trabalho irá lhe matar em vinte minutos por conta disso. Começa então uma jornada frenética de Lola na busca para chegar até seu namorado  e ainda arrumar o dinheiro nesse tempo. É uma obra corajosa, desde as primeiras citações e falas, o monólogo introdutório, os créditos, tudo busca se diferenciar.  Algumas ideias parecem boas, outras são falhas e desmentidas até mesmo durante o filme.

O espectador se vê um pouco perdido em meio à tantos ângulos e cortes bruscos, é algo com que vai se acostumando durante a produção. Nem Lola nem seu namorado parecem muito espertos pelas escolhas que tomam, e não há vínculo emocional com eles, por não se saber nada nem de um nem de outro. As sub-histórias que são apresentadas no filme, não convencem, soam apenas pretensiosas.Os vinte minutos parecem ser bem mais, o elemento de volta no tempo também está mal usado, e a parte final, que deveria conter a maior energia, é quando o filme perde a força. Embora enjoe um pouco na sua estrutura, conta com alguns bons diálogos e algumas camadas em seus personagens. Há uma extrema facilitação narrativa para chegar ao ponto que se deseja. Fecha ameno. 

Nota: 5.8

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Sem Segurança Nenhuma (2012): Crítica

Três jornalistas viajam para uma pequena cidade atrás de um homem que anunciou no jornal estar procurando uma companhia para viajar no tempo. Deles, um quer rever uma antiga namorada, outro é muito novo e viveu poucas experiências aventureiras. Apenas Darius (Aubrey Plaza) parece realmente interessada na matéria. Sua personagem tem um motivo especial para isso, e desde o primeiro ato, é nítido seu desajuste frente ao mundo.

Já Kenneth (Mark Duplass), quem diz poder viajar no tempo, é bastante medroso e paranoico, fechado e peculiar. Ele acredita que há pessoas o seguindo atrás da máquina do tempo, além de submeter-se a um treinamento bem estranho para a viagem. Por algum motivo, Darius se sente cativada. O filme faz um bom tratamento para que a plateia descubra as coisas aos poucos, assim como faz para que fique com a pulga atrás da orelha sobre a máquina. As três histórias contadas aqui poderiam ter ápices mais altos, mas fazem um bom trabalho de sustentação até o ato final. Todas as dificuldades da narrativa se desenvolvem com rapidez, mas dentro do que se propõe, o filme é justo consigo. É um trabalho de sugestões.

Nota: 8.5

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As Patricinhas de Beverly Hills (1995): Crítica

Cher é uma menina não muito diferente das demais, que gosta de shopping, de persuadir os professores para aumentar sua nota, de chamar a atenção de todos que cruzam seu caminho. E embora mantenha a pose, a garota frágil que luta pra ser mais do que rótulos é fácil de ser percebida. Na história, há vários focos, como se fossem pequenas crônicas dentro da obra.

Na parte de escola, falta um pouco de vida, ou mais realidade nos personagens. Na parte familiar e amorosa, não é muito diferente. O filme até se sai bem nos vários caminhos que percorre mas falta um mergulho, que diferencie mais a obra. Mas se as amizades ou a popularidade de Cher não convencem tanto, ainda assim, sua personagem é muito carismática e toda sua solidariedade e sua busca por encontrar-se parece muito real, sendo impossível não torcer por ela.  É um filme encantador e que marcou uma geração.

Nota: 7.4

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segunda-feira, 13 de novembro de 2017

A Ressaca (2010): Crítica

Quando um homem tenta suicídio, seus dois maiores amigos e o sobrinho de um deles, decidem o levar para um resort de esqui, onde passaram grandes dias em décadas passadas. Depois de encontrarem o lugar bastante modificado,  os amigos acabam voltando no tempo através de uma banheira de hidromassagem do local. Há a vontade de fazer com que suas vidas deem certo, já que um tentou se matar, o outro descobriu que foi traído pela mulher e o outro se separou recentemente, além do sobrinho que vive em jogos online e pouco sai de casa. 

Se trata de uma comédia, então quase nada se leva a sério. Depois da premissa criada em cima do resort, o que se segue desaponta um pouco, além de um trato entre eles em não modificar o passado, o que também impede algumas boas situações. Há um romance que poderia ser mais bem trabalhado, assim como a amizade entre eles. O ponto forte da história fica na ideia central da trama, e também as boas piadas espalhadas por sua produção. O final acaba sendo tão improvável que frustra um pouco também.

Nota: 8.0

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Looper- Assassinos do Futuro (2012): Crítica

Joe é um assassino de pessoas enviadas do futuro, já que matá-las no passado não deixaria pistas. Quando precisa matar a si mesmo, acaba se deixando escapar, e suas duas versões precisam lutar para continuarem vivas. Joe é um anti-herói, com poucas qualidades e um grande apreço pelo dinheiro, e que mesmo sabendo se tratar de si mesmo, não poupa seus esforços para matar seu "eu futuro", não desistindo da ideia nem quando o Joe mais velho conta suas motivações para não aceitar a morte.

Há boas ideias aqui e uma boa construção de mundo, nas armas e no salário de cada assassino, entre outras coisas. A narração bem pontual ajuda a entender a trama mas sem jogar tudo para o espectador. A ação também é bem dosada para só ser usada quando necessária. Também há uma boa maquiagem em Joseph Gordon-Levitt para que fique parecido com Bruce Willis, sua versão mais velha, o que garante um tom mais realista ao filme. Também há bons personagens secundários que abrilhantam as cenas, assim como as cenas de ação e fuga. O filme conta com alguns furos na sua estrutura mas diverte, é bem conduzido, escrito, e vai além daquilo que a sinopse sugere.

Nota: 9.3

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Donnie Darko (2001): Crítica

Já havia visto esse filme há algum tempo, mas resolvi revê-lo por lembrar de muitas poucas coisas na história. Escrito e dirigido por Richard Kelly, esse grande cult dos anos 2000 mostra um garoto que tem visões de um coelho gigante que lhe dá a data do fim do mundo, que será em breve. Além disso, o coelho o estimula a realizar alguns atos de vandalismo. 

Primeiro, esse é um filme com um forte elenco. Jake Gylenhaal, Patrick Swayze, Drew Barrymore, Seth Rogen... Sobre Donnie, além de ser um sujeito com problemas na família, na escola, e poucos amigos, não é muito interessante. Aliás, nem o coelho que ele vê, pois acaba tendo poucos momentos em cena, nem o começo de romance que é apresentado. Há boas ideias aqui, como a turbina que cai no quarto de Donnie, a leitura e a interpretação dos atos vândalos, a velha da estrada, buracos de minhoca, há muitos temas aqui, mas poucos com um bom tratamento.

O filme é confuso, não por ser muito "cabeça", mas por falhas de transmissão da mensagem. Conta com cenas memoráveis, uma boa ruptura com o padrão, pouca apelação, valorização dos detalhes, bons estudos de personagens e sobre a vida. Há elementos que não se justificam, e todo o clímax causado com a ideia de fim do mundo decepciona também. Mas é um filme que faz pensar, acima da média, e que se não agrada, choca quem o assiste, o que é bom.

Nota: 6.8

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Cinco Anos de Noivado (2012): Crítica

Após Tom (Jason Segel) pedir Violet (Emily Blunt) em casamento, o relacionamento deles acaba tomando rumos novos que fazem com que o casório acabe sendo adiado. E enquanto a celebração não vem, é o amor entre eles que é testado, em especial pela mudança de cidade que eles fazem para que Violet possa fazer sua pós-graduação, mas Tom acaba encontrando dificuldades para adaptar-se e para se firmar profissionalmente. 

A história não foca muito no começo do relacionamento, se nutrindo apenas de um flashback. O casal não é dos mais avassaladores, mas também não é de todo mau. As mudanças que acontecem com ambos parece afastá-los. Há também um certo ciúmes da irmã dela e do melhor amigo dele, que se casaram, tiveram uma filha, além dele ocupar o emprego que era dele antes de se mudarem. Por algum motivo, eles adiam o casamento ao máximo, esperando a vida estar perfeita para o matrimônio. A história é um pouco fria, algumas piadas com um pouco mau gosto e nada de novo a acrescentar no tema, além de uma pesquisa sobre donuts que não me convenceu. Há algumas piadas e uma leveza nos personagens/ações que salvam.

Nota: 6.0

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A Morte Te Dá Parabéns (2017): Crítica

Tree Gelbman é uma adolescente que acaba sendo assassinada no dia do seu aniversário, por alguém mascarado. Então, a personagem se vê condenada a viver várias vezes o mesmo dia, até que consiga descobrir quem está a matando e como pará-lo. Mas, por ser uma pessoa bastante antipática, o que não falta são suspeitos. Passando pelo cara que dormiu com ela e foi esnobado depois, o ex que ela não dá bola, a colega de quarto, as amigas de fraternidade, o professor com quem tem um caso secreto, entre outros. Assim, sobram possibilidades para serem exploradas pelo público bem como temáticas para serem abordadas ao longo de seus 93 minutos.

Como a história se passa em um dia que se repete, há um bom dinamismo nas ações ocorridas nele para que não fique muito chato. As mortes se diversificam bastante de lugar, e também mudam de tom: se as primeiras são mais tensas e amedrontadoras, as seguintes são mais ágeis e num tom muito menos assombroso. É um bom trabalho de criar padrões e rompê-los, adicionar revelações à obra e fazer a protagonista e suas interações progredirem. Há uma certa loucura na protagonista que começa a aparecer mas não vai para frente, mas a mudança da personagem é notável.  O vilão tem um humor negro e uma virilidade que impressiona, além do mistério que instiga. A protagonista parece mais centrada do que deveria numa situação dessas, mas é um erro pequeno diante das inovações e da fluidez do filme. A trama ainda conta com um plot twist que acerta em cheio.

Nota: 9.7

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A Casa do Lago (2006): Crítica

Os protagonistas da história, vividos por Sandra Bullock e Keanu Reeves estão separados dois anos no tempo, mas o fato de terem morado na mesma casa parece unir os dois, e faz com que possam se comunicar através de cartas, que chegam imediatamente de um para o outro. Ela é uma médica que acabou se dedicando muito mais a carreira do que a vida pessoal. Ele é um arquiteto frustrado que enfrenta grandes problemas com o pai por conta de escolhas do passado.

Sem o fator físico no romance, as chances de química do casal e de empolgação por parte de quem assiste eram bem menores, mas mesmo assim o filme surpreende, com um carinho progressivo e natural entre eles. É muito bom de se acompanhar cada revelação que um faz para o outro, e como a relação deles se expande para quase uma confissão total. Há um mistério e charme nessa comunicação atípica, que se eleva até com as dificuldades. Há um senso de desastre muito presente, combatido pela vontade de que tudo termine bem. Em algumas partes há um pouco de pressa. Nos raros momentos em que os personagens se veem, não é tão arrebatador quando poderia, mas mesmo assim, se trata de uma grande história de amor, que emociona em vários de seus tratamentos.

Nota: 9.2

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Triângulo do Medo (2009): Crítica

Um grupo de amigos decide fazer um passeio de barco para descontrair, mas a situação acaba tomando rumos inesperados e a vida de cada um fica comprometida. É um suspense que se impulsiona no mistério: a medida que a história avança, mais pontas soltas aparecem, e isso instiga a mente do espectador, ainda mais com o elemento de viagem no tempo inserido. Há vários pontos pequenos que não parecem ter muita relevância para a história mas que depois acabam se mostrando em outra perspectiva.

Há uma certa frieza em todos os personagens, o que faz com que suas vidas não interesse muito. A personagem principal também, desde o começo parece desajustada, conversa pouco, e quase nada se sabe sobre ela. Até a relação com o filho é vaga. Causa um pouco de claustrofobia por variar muito pouco nos cenários e depois de um certo tempo cansa, até ganhar força novamente. Algumas tomadas de decisões soam como incompreensíveis, há furos na história e algumas possibilidades não exploradas deixam um certo vazio. Mas a obra inova e faz seu público pelo menos inquietar-se, fazendo revelações até o último frame. 

Nota: 8.4

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Será Que? (2013): Crítica

Aqui temos um jovem perdido após seu último relacionamento (o que lhe fez trancar o curso na faculdade e se isolar socialmente), que encontra uma mulher que acende suas esperanças no amor novamente, até descobrir que ela já tem namorado. Mesmo tentando se afastar após a descoberta, ambos voltam a se aproximar e a amizade entre eles vai se intensificando.

Os dois funcionam como pessoas desajustadas e sonhadoras, os personagens secundários (amigo dele, irmã dela), tem seus momentos, embora sejam unilaterais e exerçam funções específicas na trama. O atual dela diferente de alguns outros filmes do gênero, não é um babaca total, dificultando mais o desfecho. Há também boas piadas. O filme tem seu charme e discorre bem no tema amoroso, se diferenciando um pouco dos demais do gênero. Falta um pouco de gás e há certos exageros nas personalidades dos principais, mas conta com boas sacadas, entretém e chega ainda com fôlego no fim. E é sempre bom ver o Daniel Radcliffe em um personagem que não seja o Harry Potter. 

Nota: 8.0

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Para Sempre (2012): Crítica

Baseado em fatos reais. Com Channing Tatum e Rachel McAdams nos papéis principais, conta a história de um belo casal onde ambos têm a vida revirada após um acidente de carro. Ela acaba tendo danos no cérebro e esquece alguns anos de sua vida, todos que conviveu com seu esposo. O caso fica pior porque foram anos muito decisivos em sua vida, quando se afastou da família, se mudou, terminou um noivado, trancou o curso de direito e foi investir em outra área. Dessa forma, tudo que cerca o marido, agora um estranho para ela, lhe soa como novo e não como familiar, além de não entender algumas tomadas de decisões que deu em sua vida.

Ele se mostra muito compreensivo, tentando recuperar sua mulher, tentando lhe conquistar novamente e escondendo toda a dor que enfrenta. Tenta também lhe mostrar fotos ou vídeos para que sua memória possa voltar, mas os esforços parecem todos em vão. A história lembra um pouco "Como Se Fosse A Primeira Vez", mas tem uma pegada muito mais dark. A personagem de McAdams parece sempre perdida, e isso gera um pouco de frustração em quem assiste. Falta também um começo para os dois, já que os flashbacks inserem sua premissa de maneira muito rápida. A situação gera bastante apreensão, atenuada com alguns momentos afetivos. 

Nota: 8.7

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(Des)encontro Perfeito (2015): Crítica

A história acompanha uma mulher com várias dificuldades para arrumar um namorado, devido a seus gostos peculiares e dificuldade em socializar-se. Porém, ela sem querer acaba confundida por um homem como seu par em um encontro às cegas. Por algum motivo, ela não desfaz o mau entendido e segue no papel. Um ponto positivo é o lado humano do casal principal. Ambos são mais velhos e não muito bonitos, além de terem várias falhas de personalidade. 

No começo, o filme vai bem no primeiro contato entre eles, mas acaba perdendo a força no decorrer quando falta entusiasmo nesse encontro. Um pouco depois ele se recupera, até percorrer o caminho comum de uma comédia romântica. Como a maior parte do filme se passa em um dia, é bom ver os avanços da relação e a forma com que os protagonistas de relacionam. Há dois momentos de clímax (o segundo é maior que o primeiro), mas o interessante mesmo são os nuances da relação, com destaque para a primeira parte no boliche e no bar quando encontram a ex dele. Diverte e motiva.

Nota: 8.4

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Muito Bem Acompanhada (2005): Crítica

Kat Ellis para ir no casamento da irmã, onde seu ex será padrinho, decide contratar um acompanhante para parecer que está resolvida amorosamente. O acompanhante é bonito e charmoso, o que facilita para o plano sair como esperado , a não ser o afeto que acaba surgindo entre eles. A obra conta com uma boa trilha sonora e dosa bem seu humor e romance. Todos os personagens, como os pais da protagonista, as amigas dela, a irmã, o noivo, o ex, o acompanhante, ganham força em algum momento da obra.

Talvez falte um pouco de química entre Kat e seu acompanhante, já que ele sempre parece misterioso demais, e até o beijo e o sexo entre é um pouco insosso. Logicamente, há bons momentos entre eles, e diálogos prazerosos, mas não num todo. Os desdobramentos finais caminham numa boa direção, com algumas revelações fortes e algumas reflexões e análises possíveis que ficam no ar. É um filme leve e gostoso de se assistir, que soa como um "Uma Linda Mulher" versão masculina, com seus erros mas um saldo positivo.

Nota: 8.1

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Três Vezes Amor (2008): Crítica

Will (Ryan Reynolds) vive um momento difícil na vida, tanto no trabalho quanto em casa: está se separando de sua esposa com quem conviveu por uma década, e inclusive teve uma filha, com 10 anos na trama. A filha a propósito, não parece feliz com a situação e após fazer muitas perguntas ao seu pai, ele decide então, contar para ela a história de sua vida, mas mudando os nomes reais das pessoas para que ela não saiba quem é sua mãe na história. Desde sua mudança de Wiscosin para Nova York quando queria se arrumar na carreira política, e passando por três grandes casos amorosos.

A história conta com várias reviravoltas, de personagens sumindo e reaparecendo, o que garante um certo suspense no mistério que propõe, além de garantir um certo charme e química entre Will e todas suas namoradas, criando incógnitas no público. As análises de sua vida fazem o próprio personagem ver sua vida de um ponto de vista novo, enquanto relembra detalhes que deram rumos importantes a sua vida. Nem tudo na narração parece realista, mas a história, embora não inove, empolga e aguça os melhores sentimentos em quem assiste, além de contar com uma Isla Fisher num papel muito cativante e amável.

Nota: 9.4

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Diário de uma Paixão (2004): Crítica

Sempre tive um pé atrás com esse filme por parecer muito água com açúcar e apelativo. Encarei o desafio pelos grandes fãs que carrega e também por gostar muito da Rachel McAdams. E me surpreendi positivamente com a obra, por vários aspectos. Primeiro, há uma boa química e humor entre o casal. Ambos parecem interessantes, há a pulsação da juventude estimulando os dois, além de trazer um grande tom nostálgico a trama posteriormente. Depois, as impossibilidades impulsionam a obra, com todas as dificuldades que os dois passam por virem de mundos diferentes,e todos os desencontros e azares que se seguem.

O filme nunca perde o interesse, mesmo quando parecer caminhar em círculos. O modo de narração da história adotado também fortalece a atemporalidade da história, o ritmo e também seu encanto. O amor de ambos e todos os sentimentos contraditórios que causam no casal são muito verossímeis. Quando o filme chega no terceiro ato, alguns fatos são revelados e a obra ganha outra camada, que mesmo quando parece querer fazer curativo em seu público com um ponto alegre, continua pesada e melancólica. Toda a dor que os personagens sentem, assim como as disparidades entre presente e passado aumentam ainda mais a tristeza do ambiente. Tem cenas memoráveis, além de ter uma difícil digestão.

Nota: 10.0

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Recém-formada (2009): Crítica

Esse filme trabalha com um grande dilema na vida de todas as pessoas que estão entrando na vida adulta. Ryden Malby sempre foi uma aluna dedicada e com vários planos para o futuro, mas assim que termina a faculdade, descobre que as coisas podem ser mais difíceis, além de ter em conflito aquilo que ela realmente quer. Assim, a protagonista se vê obrigada a voltar a morar com os pais, além de ter que aceitar empregos muito aquém da sua formação, enquanto vê colegas de turma com a carreira deslanchando. 

Além do lado profissional, há outros dois conflitos: amoroso, com o personagem de Rodrigo Santoro, um vizinho mais velho e charmoso, e Adam, um grande amigo que está em outra fase: entrando na faculdade. Há também o familiar, com o irmão mais novo (com o qual vive brigando) que quer vencer uma corrida de carrinhos, a avó que acha que a morte está próxima e procura um bom caixão para descansar, e o pai, interpretado por Michael Keaton, que para mim é o grande personagem do filme, com seu lado cômico, aventureiro e solidário. É um filme que faz refletir.

Nota: 7.6

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terça-feira, 31 de outubro de 2017

Te Amarei para Sempre(2009): Crítica

Filmes com viagem no tempo sempre me cativam sem dificuldades. Não é diferente aqui. Henry DeTamble é um viajante do tempo que vai tanto para o passado quanto para o futuro, só que não escolhe quando vai, nem quanto tempo fica, sempre passando apuros pela sua situação. No romance com Clare, a maior dificuldade é saber lidar com seus sumiços repentinos e as várias fases de sua vida com que ela precisa se relacionar em um curto espaço de tempo.

Algumas poucas relações familiares são exploradas, além de um único momento em que Henry faz um bom uso de seu caso. No centro, a relação amorosa apresentada mostra todos os grandes momentos do casal, e mesmo assim, parece ter sido rápida demais, com a paixão de ambos surgindo precipitadamente. Mas depois de estabelecida, ela ganha força principalmente pelas dificuldades que enfrentam até um final avassalador. Como todo filme com viagem no tempo, conta com furos e pontas soltas, mas também reflete e diverte a mente e sensibiliza.

Nota: 9.1

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Tudo em Família (2005): Crítica

Meredith Morton vai passar o natal com a família do namorado, mas encontra um lar bastante problemático e pouco propício para sua aproximação. Além disso, ela tem um estilo mais focada e séria, o que também gera certo estranhamento. Como o forte aqui são as interações, o roteiro ágil garante boa fluidez no decorrer da comemoração, dando destaque e boas doses de personalidade para cada personagem, inserindo e os retirando da trama em momentos oportunos.

No choque das relações, há grandes descobertas e mudanças e personagens, quase sempre pautadas na comicidade. Mesmo em território já bastante navegado por outros filmes, a obra se mostra original e consegue se manter até o final, inserindo drama na hora certa e sabendo equilibrar os personagens quanto aquilo que transmitem ao público. Só gostaria de ter visto mais a Rachel McAdams em cena. Grande pequeno filme.

Nota: 8.4

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D.U.F.F. (2015): Crítica

"Designated Ugly Fat Friend", que em tradução literal seria "A amiga feia e gorda escolhida", seria a amiga de um grupo que, por ser menos atraente que os demais membros, teria a única função de chamar a atenção para as amigas(os), ou ser um meio de se chegar até eles(as). Quando Bianca "descobre" ser a D.U.F.F. de suas amigas, se afasta delas e com a ajuda de um dos caras mais populares do colégio, começa uma transformação em si para se tornar mais atraente.

É um típico desses filmes de colégio americanos. Tem a patricinha mimada arqui-rival da protagonista, o cara que ela gosta mas não tem coragem de dizer, a mãe com quem não se consegue comunicar muito bem... Nesse sentido é bem formulaico, mas os mesmo tempo, é tão leve de se acompanhar, delicioso nos seus amores e recompensador em seus desdobramentos, que não tem como dizer que não é um passatempo agradável.

Nota: 7.5

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segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Dias Incríveis (2003): Crítica

Um trio de amigos, todos tristes com a vida de adulto (amorosa e profissionalmente), se unem para criar uma fraternidade não-oficial formada por moradores da região e alunos do campus. A sede fica na casa de Mitch Martin, espécie de líder do grupo, recém separado após pegar a mulher em flagrante o traindo.

Bom, a ideia de uma grande fraternidade defendida no filme, não se sustenta. Apenas uma festa é mostrada, e o resto das ações realizadas pelo grupo, longe de serem grande coisa. Há ainda uma certa frieza no trio de amigos. A maior parte do tempo do filme se dedica a um conflito com o reitor da universidade, que quer expulsá-los da casa. Ainda assim há bons momentos engraçados, e o tom de grandiosidade/nostalgia, mesmo que não tão forte, contribui.

Nota: 6.7

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Um Caso de Amor (2013): Crítica

Um escritor, de certa forma frustrado por não demonstrar seu real potencial nos livros, se resignando a adaptações de filmes, se vê apaixonado por uma garçonete, e passa então a segui-la nas redes sociais a fim de se tornar o homem dos seus sonhos. Mesmo sem sequer falar com a amada, o que o motiva é a transformação. Ao mesmo tempo que se aprimora nela, adia o encontro com ela, até ser motivado por um amigo. 

Na personalidade dela, nota-se um bom sentimentalismo e excentricidades que a tornam interessantes. As ações que se desencadeiam entre os principais, às vezes emotiva, constrangedora ou desastrosa, há o sentimento entre ambos crescendo, além das descobertas pessoais. O filme é um pouco morno, tem um recurso interessante para elucidar os conflitos internos do protagonista, um anão em dois momentos engraçados e um casal que, mesmo sem um grande clímax, funciona.

Nota: 6.8

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Sexo, Drogas e Jingle Bells (2015): Crítica

É, a sua maneira, um filme natalino, onde acompanha o último ano da tradição de vários natais, entre três amigos, que sempre saem para beber na véspera da data. No trio, Anthony Mackie faz o jogador sub-celebridade que quer se firmar no meio esportivo. Seth Rogen é futuro pai e Joseph Gordon-Levitt, o que pareço menos maduro e firmado na vida, além de ter um relacionamento mal resolvido.

Há várias situações cômicas aqui, explorando o grupo como um todo e individualmente. Há um bom senso de tradição, com as lembranças de quando se conheceram e o senso de fim, com o destino de cada um tomando seu rumo. Há também as brigas e catástrofes experimentadas na celebração, que ajudam cada um a vencer alguma dificuldade pessoal. Nada muito inovador, nem grandioso (nem mesmo a tal festa do Quebra-Nozes tão anunciada) mas diverte com bons atores em situações divertidas.

Nota: 6.5

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Jogo Perigoso (2017): Crítica

Adaptação de um livro de Stephen King, se passa na maior parte do tempo com dois personagens (casal) em um único cenário: um quarto de uma casa do lago remota. Após um infarto inesperado do marido, a mulher que está algemada por um jogo sexual, precisa arrumar um jeito de se libertar antes que morra de fome/sede ou que algum maluco a encontre. E disso então parte uma longa análise, sobre a vida da protagonista e seu passado.

A complacência da mulher, seu mau relacionamento amoroso, a falta de amigos, os traumas que ela guarda consigo. Há um maior, envolvendo sua família, mostrado em flashbacks no longa. Além da análise, há um bom jogo de diálogos e descobertas pessoais, que fazem com que o filme não fique muito arrastado, revezando essas reflexões com ações práticas para sobrevivência. O final foi visto por muitos como expositivo demais, até ilógico, mas eu o vejo como uma forma de passar ao público as mudanças da protagonista. Além de ser congruente com a proposta do filme.

Nota: 8.3

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Tá rindo do quê? (2009): Crítica

Judd Apatow é um dos diretores que melhor soube aliar comédia e drama, quase criando um subgênero. Todos seus filmes (embora poucos mas todos bons) partilham certas características (a longa duração,  a dificuldade amorosa, a crise de identidade), mas sempre com algo diferente. Esse ainda conta com Seth Rogen e Adam Sandlers, dois atores que eu particularmente, gosto muito.

A história parte de uma doença no personagem de Adam (um humorista consagrado), o que o faz refletir mais sobre a vida. Nessa jornada existencial, encontra o personagem de Rogen, em quem se vê anos atrás. A relação dos dois é bem trabalhada a partir das oposições entre eles, salientando ou conturbando-se com as falhas de conduta de ambos, sem nunca ser meloso demais. Depois da metade do filme, o filme se estica em um certo desdobramento que parecia episódico, e há boas desconstruções da expectativa do público, fugindo dos clichês. E embora haja pontos que podiam ser melhores trabalhados, é uma boa análise da morte, da amizade, do sucesso, do amor.

Nota: 7.7

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Blade Runner: O caçador de andróides (1982): Crítica

Dentre as várias versões para esse filme, assisti a versão do diretor, sem as narrações em off (que seriam para elucidar a trama), a cena final mais comercial, com um tom mais prazeroso de final feliz, e com mais violência e as cenas de sonho com unicórnios do protagonista. Pois bem, esse é um daqueles filmes que marcam no tempo, e não é por menos. Embora seja um "Sci-Fi", é bem mais lento do que se possa sugerir, imersivo em seu mundo e personagens.

Além do protagonista vivido por Harrison Ford, destaque para dois replicantes, um homem e outro mulher. Curiosamente, são os replicantes que parecem mais humanos. São deles as principais indagações do filme. Além disso, não é uma obra autoexplicativa, deixando margem para várias interpretações, além de não se deter muito tempo com as problemáticas de cada personagem. Há muita coisa sugerida aqui. Mas o essencial é passado, prende o espectador, o faz entender todos os lados, o entretém e faz pensar.

Nota: 8.2

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A criada (2016): Crítica

Chan-woon Park já havia colocado seu nome na história do cinema com "Oldboy", agora em seu último trabalho, decidiu explorar outras áreas do comportamento humano, com não menos intensidade. A obra sul-coreana acompanha um mulher designada a trabalhar como empregada de uma família muito rica, com o intuito de ajudar seu comparsa a seduzir a herdeira da fortuna para que depois, lhe tomem o dinheiro e repartam a herança.

Parece uma história relativamente simples, mas que, quando mostra suas verdadeiras intenções e alcança tais proporções, magnetiza o público com total controle. Algumas ações, estendidas ou mostradas de outros ângulos, mudam o destino da obra, tudo é calculado aqui. A protagonista tem um bom desenvolvimento de personagem, há belíssimas imagens, e o sexo explorado em várias de suas facetas. Embora tenha uma longa duração, é fácil de se acompanhar. Humano e surpreendente.

Nota: 7.3

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Simplesmente acontece (2015): Crítica

Esse filme me chamou a atenção pela grande quantidade de fãs que carrega. Pois num gênero de certa forma saturado, é um dos grandes destaques de sua geração. A história, em essência, comove: um amor que existe desde a infância, e que apesar de todos os anos e dificuldades para que se materialize, ele resiste. É muito tênue no tratamento do amor, e também, impetuoso em suas passagens de tempo, entrecortadas com belas imagens.

A relação dos protagonistas é muito boa, há uma boa química entre eles, transitando entre momentos engraçados e românticos com fluidez. Há de se destacar também os personagens secundários, que também carregam uma força narrativa para impulsionar o filme. O filme perde um pouco o fôlego, e todas as suas voltas não parecem muito reais, mas se alavanca na dramaticidade e fecha numa nota alta.

Nota: 8.5

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quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Penetras Bons de Bico: Crítica


Comédia de primeira

O filme já inicia mostrando a que veio: tira gargalhadas nos primeiros minutos e mostra a ótima química entre John Beckwith (Owen Wilson) e Jeremy Klein (Vince Vaughn), protagonistas do longa.

Os dois entram de penetra em vários casamentos usando nomes falsos, para pegar mulheres, já que nessas condições elas estariam mais suscetíveis à novas experiências. Temos então outra parte muita inspirada: toda a sequência que introduz as táticas e aventuras da dupla é bastante engenhosa e engraçada, sabendo a hora de acelerar suas cenas e esticá-las, de se repetir e acrescentar.

Finalmente chegamos no casamento principal, que seria o último da "temporada de casamentos", da filha do Secretário do Tesouro Americano. John então se apaixona pela irmã da noiva, se beneficiando de suas habilidades galanteadoras para tentar conquistá-la. A amada em questão, por sinal, não é umas dessas patricinhas de outros filmes do gênero, mas tem um senso de humor desajustado, sarcástica também, sem noção às vezes e com um ar de loucura em sua personalidade.

O enredo não parece grande coisa, mas o modo com que se faz é que o torna tão especial. Primeiro pelo bom controle de tempo: a maior parte do filme se passa em dois dias, o que o deixa ainda mais orgânico. Há também um bom uso de personagens excêntricos para ornamentar a trama e o bom contraste entre John e Jeremy, que equilibra e dinamiza o filme. 

O filme aborda temas pesados, até toscos, mas sempre a serviço do humor e de uma forma operante, o que faz com que ganhe sinal verde naquilo que poderia ser bizarro. Há momentos sentimentais bem dosados e bem pulverizados, sempre orbitando a comédia. Há boas evoluções de relações e de personagens. Também faz uma boa análise para que os canalhas protagonistas sejam compreendidos e gerem empatia com o público.

Algumas tomadas de decisões e atitudes não parecem reais, mas o filme nem tem essa intenção. Tirando algumas pinceladas de ideias sobre o amor, a velhice e o autoconhecimento, não propõe reflexões, nem é uma dessas obras que deixa o espectador por dias pensando naquilo que assistiu, mas cumpre bem sua missão de divertir nos seus mais de 100 minutos que passam voando.

É um filme muito bem escrito. Quando caminha para as revelações inevitáveis, o filme faz bem naquilo que mostra e sugere, nos poupando de uma vergonha alheia. O roteiro conta com algumas facilitações narrativas mas até elas tornam a história mais empolgante. Também é satisfatório, sendo um daqueles filmes leves e gostosos de se acompanhar. 

Há um dentre os outros estereótipos da trama que pode soar como um desserviço à causa das minorias, mas o filme não quer ser levado a sério nem contribuir em quadros sociais, sendo essa personagem bem utilizada naquilo que propõe.

O final parecia caminhar para algo mais clichê e por que não sem graça, mas mesmo chegando aos mesmos resultados, o faz com elegância, indo e vindo com quebras de expectativa. Preciso destacar também uma boa participação do Will Ferrel. É sobre o amor mas também sobre a amizade. Grata surpresa. 

Nota: 10.0

Direção: David Dobkin
Roteiro: Steve Faber, Bob Fisher
Gênero: Comédia / Romance
Origem: Estados Unidos

Duração: 119 minutos

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Blade Runner 2049 estreia amanhã no Brasil

Dia 05 de Outubro chega às telonas a continuação do clássico "Blade Runner- O Caçador de Androides". Lançado em 1982, o longa de Ridley Scott acompanha a saga de Deckard (Harrison Ford), um policial que caça e extermina replicantes: humanos criados artificialmente. O filme foi bem recebido pela crítica (o que lhe rendeu duas indicações ao Oscar) e acumulou vários fãs ao longo das décadas.

35 anos depois, sua sequência deve expandir o universo futurista que foi mostrado no primeiro filme, com o personagem de Harrison Ford ainda em cena, e novas figuras de peso, com Ryan Gosling (La La Land) e Jared Leto (Clube de Compras Dallas) no elenco.

No roteiro, o filme conta com Ridley Scott, Hampton Fancher (que também estava no roteiro de 1982), e Michael Green, que entre outros roteiros, colaborou em "Logan" (2017) e "Lanterna Verde" (2011). Lembrando que o mundo imagético do filme é inspirado no livro "Androides sonham com ovelhas elétricas?" de 1968, escrito por Philip K. Dick.

"Blade Runner 2049" é dirigido pelo canadense Denis Villeneuve, um dos grandes cineastas da nova geração. Concorrente no último Oscar com "A Chegada", também fez grandes filmes como "O Homem Duplicado" (2013), "Os Suspeitos" (2013) e "Incêndios" (2010).


sexta-feira, 29 de setembro de 2017

A ghost history - Crítica

A melancolia por debaixo dos panos



"A qualquer hora que se acordasse, havia uma porta batendo." O filme começa com essa frase de Virginia Woolf, quando então somos inseridos no cotidiano de um casal interpretado por Casey Affleck (ganhador do oscar com "Manchester à beira-mar" e irmão de Ben Affleck) e Rooney Mara (ganhadora da palma de ouro com "Carol"). Sabemos que o casal vai se mudar em breve, e então há um piano, um espectro luminoso, um estrondo na madrugada, um acidente de carro e a morte do personagem de C.A.

Aí então, passamos a observar as ações do ponto de vista do fantasma, que continua na casa, observando a dor de sua ex-mulher. As cenas são bem lentas, com longas sequências onde nada acontece, há cortes bruscos no tempo, e no centro de tudo, o fantasma acompanhando cada ação, incólume, estático, frio, misterioso, triste. Sua caracterização, embora simples, colabora muito para que essas sensações sejam transmitidas.

Vemos então sua ex seguindo sua vida, um outro fantasma na casa vizinha, que diz estar esperando alguém mas não se lembra. Novos moradores adentram a casa, o tempo se passa, o fantasma parece cada vez mais distante daquilo que um dia já foi. Quase não há falas aqui, mas tudo que precisa ser passado para o público, é transmitido de maneira limpa.

A medida que o final se aproxima, algumas incógnitas da história se esclarecem, enquanto novas aparecem. Nem tudo é claro, restando ao público fazer sua própria interpretação. Algumas ideias são mais expostas, como em um monólogo no meio do filme, sobre a brevidade humana e a vontade de se fazer importante, mas até nessa parte, há brechas para análises. 

É um filme frio, arrastado, com várias divagações e nem todas apresentando algo relevante. Mas é original, interessante e ambicioso, tendo no seu cerne os maiores dilemas da raça humana, além de contar com uma cena primorosa, embalada pela música "I get overwhelmed", do grupo Dark Rooms. Também amarra de forma adequada os seus eixos e possui um grande controle do tempo narrativo.

Nota: 8.5 

  • Direção: David Lowery
  • Roteiro: David Lowery
  • Gênero: Drama / Fantasia / Romance
  • Origem: Estados Unidos
  • Duração: 92 minutos
  • Ano de lançamento: 2017









Koe no Katachi - Crítica

Um silêncio de máscaras

Animações japonesas raramente decepcionam, tendo em sua história várias obras-primas.  Diferente das americanas, elas tratam de temas mais pesados sem eufemismos, além de dosarem seu tom cômico em quantidades menores.

O filme acompanha Ishida Shouya em dois momentos: um primeiro no ensino fundamental, que introduz a história, e o segundo dois anos depois, já no ensino médio. E também acompanha Nishimiya Shoko, uma garota com problemas de audição e que por conta disso, tem autoestima baixa e dificuldades para se enturmar. 

Sem que haja motivos aparentes, Ishida começa a praticar bullying com Nishimiya, o que acaba gerando consequências negativas para ambas as partes. Algumas cenas me causaram grande desconforto, em contraste com a aparente doçura que Nishimiya lida com a situação, que se converte em raiva em um dado segmento. 

Essa é uma ação que gera mudanças drásticas na vida de Ishida, tanto no ciclo familiar quanto escolar. Ele passa então a ser evitado pelos outros colegas, se transforma em um garoto cabisbaixo, que não encara nem ouve as pessoas em sua volta, isolado e alheio a tudo que o cerca. Por isso, parte em procura da garota a quem causou tanto mal dois anos atrás para conseguir se redimir do seu passado. Assim, a figura do jovem vai aos poucos sendo compreendida, e em vez de raiva, causa piedade e depois empatia.

É preciso ressaltar o bom controle de tempo que o filme tem, na medida em que insere acontecimentos novos de um modo que parece brusco, até tratá-lo depois, ou como avança e depois estica sua obra. O importante no filme não está no final, mas no caminho. Também há um bom uso de personagens, que entram na trama, somem e reaparecem no momento certo. Só há um personagem que parece que vai ganhar maior destaque na trama mas não ganha, fazendo com que sua aparição soe como sem motivo.

Há vários temas tratados aqui, suicídio, bullying, isolamento social, perda, todos com seu momento em alguma parte, embora alguns se atropelem. Há uma personagem que carrega uma raiva injustificável, assim como a extrema doçura de Nishimiya, quase não humana. Outro ponto negativo é o exagero para demonstrar quaisquer sentimentos, comum nas animações japonesas.

Na relação Nishimiya e Ishida, a evolução para a aproximação deles é orgânica: a tensão amorosa, a ingenuidade, a timidez exagerada, tudo contribui. É notável a amargura que ambos carregam, e como buscam apoio um no outro para superá-la e o empenho mútuo que o fazem. Porém, era grande meu desejo de que certas tomadas de decisões fossem à tela, o que seria bem satisfatório.

Essa é uma obra relevante, tênue no tratamento de seus temas. Embora nem tudo seja aprofundado como poderia, é um bom estudo de personagens, tem boas músicas e de quebra traz uma cena, perto do final, que me fez ir às lágrimas. 

Nota: 8.9

  • Direção: Naoko Yamada
  • Roteiro: Reiko Yoshida (roteiro), Yoshitoki Oima (mangá)
  • Gênero: Animação / Drama / Romance
  • Origem: Japão
  • Duração: 129 minutos
  • Ano de lançamento: 2016




Mãe! - Crítica

O estranho mundo de Aronofsky



Resumir esse filme é uma tarefa difícil, pois se trata de uma obra onde as descobertas influenciam muito na experiência, mas basicamente se trata da história de um casal, interpretados por Jennifer Lawrence e Javier Bardem, que vive em uma casa grande e isolada, quando inesperadamente, começam a receber várias visitas de desconhecidos.

A produção é escrita e dirigida por Darren Aronofsky, sendo seu primeiro roteiro sozinho. O cineasta, conceituado na área, dentre outros trabalhos realizou "Requiém para um sonho", "O lutador" e "Cisne negro", este último até lhe rendendo uma indicação para o Oscar e uma estatueta para Natalie Portman. 

Pois bem, após algumas cenas descobrimos que a casa foi destruída em um grande incêndio, sendo reconstruída pela personagem de J.L., enquanto seu marido tenta voltar a escrever, o que faz há longos anos, sem êxito. O relacionamento parece em crise, pois não há muita troca de carinho. 

A rotina de ambos se mantém até que um suposto médico chega na casa. Enquanto J.B. se mostra muito hospitaleiro, J.L. fica preocupada com a presença do estranho. Enquanto os dias passam, as regalias da visita na casa se tornam maiores. O público sente o desconforto da mulher frente o comodismo do médico e a indiferença do marido. 

A estranheza da situação, gradativamente ficando maior, gera interesse para ver onde o filme nos leva. As personagens agem de um modo tão exótico que nada parece real, e nem tem a intenção de ser. A cada cena em que a trama avança, suas alegorias ficam mais claras, e curiosamente, talvez seja o papel da protagonista, o menos certo de se definir. 

Após uma estabilização dos acontecimentos, há um lapso de tempo e as estranhezas voltam, num nível bem maior. Numa bagunça de ações que se desencadeiam, com ápice em uma grande barbárie, o filme caminha para o seu desfecho, deixando algumas pontas soltas.

Mãe é um filme um pouco arrastado, sempre com cenas fechadas e escuras, gerando certa claustrofobia. Algumas alegorias que sugere não se ligam tão bem às suas referências, além da maioria ser vazia, com exceção de um questionamento sobre a necessidade da catástrofe para a criação. Mas é uma obra original, que utiliza bem de seus cenários para intrigar e perturbar o público.

Nota: 6.6

  • Direção: Darren Aronofsky
  • Roteiro: Darren Aronofsky
  • Gênero: Drama / Terror
  • Origem: Estados Unidos
  • Duração: 115 minutos
  • Ano de lançamento: 2017


quinta-feira, 28 de setembro de 2017

It: A coisa - Crítica

Terror, mas também drama e aventura



Adaptações de romances de Stephen King sempre renderam grandes obras para o cinema, como "O iluminado", "Conta comigo" e "Um sonho de liberdade", só para citar alguns. O próprio "It" já havia entrado nessa lista em 1990, como uma minissérie para TV, depois editada como filme. Com novas possibilidades técnicas para engrandecer as aparições de Pennywise, o novo filme agora já figura como a maior bilheteria mundial no gênero terror, desbancando o clássico "O exorcista", de 1973. 

 A história se passa em Derry, no Maine, onde uma criatura misteriosa aparece a cada 27 anos, para assustar e matar crianças, se nutrindo do medo delas. O foco da trama está em sete crianças (seis meninos e uma menina), que juntas formam o clube dos perdedores. Atormentadas pelo palhaço, decidem então unir forças para tentar vencê-lo.

Nesse ponto, quero ressaltar que um filme de terror para ser bom, não precisa necessariamente causar medo. Se o filme dependesse disso, teria fracassado terrivelmente comigo, pois não senti medo e sequer tomei susto durante a exibição. Outras pessoas que vejam o filme, podem se assustar e até passarem dias pensando no palhaço, já que o medo depende de vários fatores como o período do dia em que você assiste, com quem assiste, a forma que interpreta a obra e outros. 

Também é preciso dizer que, embora se trate de uma adaptação, o filme precisa ter liberdade criativa, pois seguir fielmente o livro não garante o sucesso e nem o contrário, caminhando com as próprias pernas mas devendo haver um equilíbrio para justificar a adaptação e até por respeito ao escritor. Contudo, é óbvio que nem tudo que funciona no papel, funciona nas câmeras, e vice-versa.

Falando do palhaço, há um desconhecimento de seus motivos e sua origem, o que lhe garante interesse por parte do público, e uma estranheza pitoresca, aliada a seus diversos poderes, que fazem com que não seja apenas um idiota fantasiado. Na primeira vez que aparece, suas falas geram diabolicamente, certa empatia e até carisma, seguida por uma surpresa que faz todos seus atributos, até então imaginados, ganharem novos níveis. Porém, em nenhuma outra cena, tal façanha se repete, gerando atos repetitivos que não ultrapassam os clichês. Nem a ideia de se usar o medo pessoal de cada criança para assustá-la ainda mais, é bem explorada.

Já nas crianças, o fascínio na infância, potencializado no grupo, junto à pureza de algum lugar pouco habitado em algumas décadas passadas, traz um tom de nostalgia e bucolismo que é muito bom de se assistir. Dessa relação entre elas, há momentos genuinamente engraçados, assim como discussões plausíveis. Porém,  a amizade no grupo soa como eventual: faltam laços mais significativos, além de existirem três crianças na turma com um tratamento linear. 

De certa forma, adultos e adolescentes são vilanizados, em um contraste forte com o universo infantil, o que é condizente com a proposta do filme. E em contrapartida, há situações e temas que careciam de maior impacto na trama, mas as reações que geram nas personagens são quase inexpressivas. 

Assim, "It- A coisa"acaba não mergulhando em alguns temas e tampouco se renovando em sua estrutura, mas diverte em vários momentos, tem um antagonista marcante e prende a atenção em sua narrativa desbravadora dos conflitos internos e externos de cada integrante do clube dos perdedores.

Nota: 7.0