sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Mãe! - Crítica

O estranho mundo de Aronofsky



Resumir esse filme é uma tarefa difícil, pois se trata de uma obra onde as descobertas influenciam muito na experiência, mas basicamente se trata da história de um casal, interpretados por Jennifer Lawrence e Javier Bardem, que vive em uma casa grande e isolada, quando inesperadamente, começam a receber várias visitas de desconhecidos.

A produção é escrita e dirigida por Darren Aronofsky, sendo seu primeiro roteiro sozinho. O cineasta, conceituado na área, dentre outros trabalhos realizou "Requiém para um sonho", "O lutador" e "Cisne negro", este último até lhe rendendo uma indicação para o Oscar e uma estatueta para Natalie Portman. 

Pois bem, após algumas cenas descobrimos que a casa foi destruída em um grande incêndio, sendo reconstruída pela personagem de J.L., enquanto seu marido tenta voltar a escrever, o que faz há longos anos, sem êxito. O relacionamento parece em crise, pois não há muita troca de carinho. 

A rotina de ambos se mantém até que um suposto médico chega na casa. Enquanto J.B. se mostra muito hospitaleiro, J.L. fica preocupada com a presença do estranho. Enquanto os dias passam, as regalias da visita na casa se tornam maiores. O público sente o desconforto da mulher frente o comodismo do médico e a indiferença do marido. 

A estranheza da situação, gradativamente ficando maior, gera interesse para ver onde o filme nos leva. As personagens agem de um modo tão exótico que nada parece real, e nem tem a intenção de ser. A cada cena em que a trama avança, suas alegorias ficam mais claras, e curiosamente, talvez seja o papel da protagonista, o menos certo de se definir. 

Após uma estabilização dos acontecimentos, há um lapso de tempo e as estranhezas voltam, num nível bem maior. Numa bagunça de ações que se desencadeiam, com ápice em uma grande barbárie, o filme caminha para o seu desfecho, deixando algumas pontas soltas.

Mãe é um filme um pouco arrastado, sempre com cenas fechadas e escuras, gerando certa claustrofobia. Algumas alegorias que sugere não se ligam tão bem às suas referências, além da maioria ser vazia, com exceção de um questionamento sobre a necessidade da catástrofe para a criação. Mas é uma obra original, que utiliza bem de seus cenários para intrigar e perturbar o público.

Nota: 6.6

  • Direção: Darren Aronofsky
  • Roteiro: Darren Aronofsky
  • Gênero: Drama / Terror
  • Origem: Estados Unidos
  • Duração: 115 minutos
  • Ano de lançamento: 2017


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