terça-feira, 31 de outubro de 2017

Te Amarei para Sempre(2009): Crítica

Filmes com viagem no tempo sempre me cativam sem dificuldades. Não é diferente aqui. Henry DeTamble é um viajante do tempo que vai tanto para o passado quanto para o futuro, só que não escolhe quando vai, nem quanto tempo fica, sempre passando apuros pela sua situação. No romance com Clare, a maior dificuldade é saber lidar com seus sumiços repentinos e as várias fases de sua vida com que ela precisa se relacionar em um curto espaço de tempo.

Algumas poucas relações familiares são exploradas, além de um único momento em que Henry faz um bom uso de seu caso. No centro, a relação amorosa apresentada mostra todos os grandes momentos do casal, e mesmo assim, parece ter sido rápida demais, com a paixão de ambos surgindo precipitadamente. Mas depois de estabelecida, ela ganha força principalmente pelas dificuldades que enfrentam até um final avassalador. Como todo filme com viagem no tempo, conta com furos e pontas soltas, mas também reflete e diverte a mente e sensibiliza.

Nota: 9.1

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Tudo em Família (2005): Crítica

Meredith Morton vai passar o natal com a família do namorado, mas encontra um lar bastante problemático e pouco propício para sua aproximação. Além disso, ela tem um estilo mais focada e séria, o que também gera certo estranhamento. Como o forte aqui são as interações, o roteiro ágil garante boa fluidez no decorrer da comemoração, dando destaque e boas doses de personalidade para cada personagem, inserindo e os retirando da trama em momentos oportunos.

No choque das relações, há grandes descobertas e mudanças e personagens, quase sempre pautadas na comicidade. Mesmo em território já bastante navegado por outros filmes, a obra se mostra original e consegue se manter até o final, inserindo drama na hora certa e sabendo equilibrar os personagens quanto aquilo que transmitem ao público. Só gostaria de ter visto mais a Rachel McAdams em cena. Grande pequeno filme.

Nota: 8.4

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D.U.F.F. (2015): Crítica

"Designated Ugly Fat Friend", que em tradução literal seria "A amiga feia e gorda escolhida", seria a amiga de um grupo que, por ser menos atraente que os demais membros, teria a única função de chamar a atenção para as amigas(os), ou ser um meio de se chegar até eles(as). Quando Bianca "descobre" ser a D.U.F.F. de suas amigas, se afasta delas e com a ajuda de um dos caras mais populares do colégio, começa uma transformação em si para se tornar mais atraente.

É um típico desses filmes de colégio americanos. Tem a patricinha mimada arqui-rival da protagonista, o cara que ela gosta mas não tem coragem de dizer, a mãe com quem não se consegue comunicar muito bem... Nesse sentido é bem formulaico, mas os mesmo tempo, é tão leve de se acompanhar, delicioso nos seus amores e recompensador em seus desdobramentos, que não tem como dizer que não é um passatempo agradável.

Nota: 7.5

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segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Dias Incríveis (2003): Crítica

Um trio de amigos, todos tristes com a vida de adulto (amorosa e profissionalmente), se unem para criar uma fraternidade não-oficial formada por moradores da região e alunos do campus. A sede fica na casa de Mitch Martin, espécie de líder do grupo, recém separado após pegar a mulher em flagrante o traindo.

Bom, a ideia de uma grande fraternidade defendida no filme, não se sustenta. Apenas uma festa é mostrada, e o resto das ações realizadas pelo grupo, longe de serem grande coisa. Há ainda uma certa frieza no trio de amigos. A maior parte do tempo do filme se dedica a um conflito com o reitor da universidade, que quer expulsá-los da casa. Ainda assim há bons momentos engraçados, e o tom de grandiosidade/nostalgia, mesmo que não tão forte, contribui.

Nota: 6.7

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Um Caso de Amor (2013): Crítica

Um escritor, de certa forma frustrado por não demonstrar seu real potencial nos livros, se resignando a adaptações de filmes, se vê apaixonado por uma garçonete, e passa então a segui-la nas redes sociais a fim de se tornar o homem dos seus sonhos. Mesmo sem sequer falar com a amada, o que o motiva é a transformação. Ao mesmo tempo que se aprimora nela, adia o encontro com ela, até ser motivado por um amigo. 

Na personalidade dela, nota-se um bom sentimentalismo e excentricidades que a tornam interessantes. As ações que se desencadeiam entre os principais, às vezes emotiva, constrangedora ou desastrosa, há o sentimento entre ambos crescendo, além das descobertas pessoais. O filme é um pouco morno, tem um recurso interessante para elucidar os conflitos internos do protagonista, um anão em dois momentos engraçados e um casal que, mesmo sem um grande clímax, funciona.

Nota: 6.8

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Sexo, Drogas e Jingle Bells (2015): Crítica

É, a sua maneira, um filme natalino, onde acompanha o último ano da tradição de vários natais, entre três amigos, que sempre saem para beber na véspera da data. No trio, Anthony Mackie faz o jogador sub-celebridade que quer se firmar no meio esportivo. Seth Rogen é futuro pai e Joseph Gordon-Levitt, o que pareço menos maduro e firmado na vida, além de ter um relacionamento mal resolvido.

Há várias situações cômicas aqui, explorando o grupo como um todo e individualmente. Há um bom senso de tradição, com as lembranças de quando se conheceram e o senso de fim, com o destino de cada um tomando seu rumo. Há também as brigas e catástrofes experimentadas na celebração, que ajudam cada um a vencer alguma dificuldade pessoal. Nada muito inovador, nem grandioso (nem mesmo a tal festa do Quebra-Nozes tão anunciada) mas diverte com bons atores em situações divertidas.

Nota: 6.5

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Jogo Perigoso (2017): Crítica

Adaptação de um livro de Stephen King, se passa na maior parte do tempo com dois personagens (casal) em um único cenário: um quarto de uma casa do lago remota. Após um infarto inesperado do marido, a mulher que está algemada por um jogo sexual, precisa arrumar um jeito de se libertar antes que morra de fome/sede ou que algum maluco a encontre. E disso então parte uma longa análise, sobre a vida da protagonista e seu passado.

A complacência da mulher, seu mau relacionamento amoroso, a falta de amigos, os traumas que ela guarda consigo. Há um maior, envolvendo sua família, mostrado em flashbacks no longa. Além da análise, há um bom jogo de diálogos e descobertas pessoais, que fazem com que o filme não fique muito arrastado, revezando essas reflexões com ações práticas para sobrevivência. O final foi visto por muitos como expositivo demais, até ilógico, mas eu o vejo como uma forma de passar ao público as mudanças da protagonista. Além de ser congruente com a proposta do filme.

Nota: 8.3

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Tá rindo do quê? (2009): Crítica

Judd Apatow é um dos diretores que melhor soube aliar comédia e drama, quase criando um subgênero. Todos seus filmes (embora poucos mas todos bons) partilham certas características (a longa duração,  a dificuldade amorosa, a crise de identidade), mas sempre com algo diferente. Esse ainda conta com Seth Rogen e Adam Sandlers, dois atores que eu particularmente, gosto muito.

A história parte de uma doença no personagem de Adam (um humorista consagrado), o que o faz refletir mais sobre a vida. Nessa jornada existencial, encontra o personagem de Rogen, em quem se vê anos atrás. A relação dos dois é bem trabalhada a partir das oposições entre eles, salientando ou conturbando-se com as falhas de conduta de ambos, sem nunca ser meloso demais. Depois da metade do filme, o filme se estica em um certo desdobramento que parecia episódico, e há boas desconstruções da expectativa do público, fugindo dos clichês. E embora haja pontos que podiam ser melhores trabalhados, é uma boa análise da morte, da amizade, do sucesso, do amor.

Nota: 7.7

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Blade Runner: O caçador de andróides (1982): Crítica

Dentre as várias versões para esse filme, assisti a versão do diretor, sem as narrações em off (que seriam para elucidar a trama), a cena final mais comercial, com um tom mais prazeroso de final feliz, e com mais violência e as cenas de sonho com unicórnios do protagonista. Pois bem, esse é um daqueles filmes que marcam no tempo, e não é por menos. Embora seja um "Sci-Fi", é bem mais lento do que se possa sugerir, imersivo em seu mundo e personagens.

Além do protagonista vivido por Harrison Ford, destaque para dois replicantes, um homem e outro mulher. Curiosamente, são os replicantes que parecem mais humanos. São deles as principais indagações do filme. Além disso, não é uma obra autoexplicativa, deixando margem para várias interpretações, além de não se deter muito tempo com as problemáticas de cada personagem. Há muita coisa sugerida aqui. Mas o essencial é passado, prende o espectador, o faz entender todos os lados, o entretém e faz pensar.

Nota: 8.2

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A criada (2016): Crítica

Chan-woon Park já havia colocado seu nome na história do cinema com "Oldboy", agora em seu último trabalho, decidiu explorar outras áreas do comportamento humano, com não menos intensidade. A obra sul-coreana acompanha um mulher designada a trabalhar como empregada de uma família muito rica, com o intuito de ajudar seu comparsa a seduzir a herdeira da fortuna para que depois, lhe tomem o dinheiro e repartam a herança.

Parece uma história relativamente simples, mas que, quando mostra suas verdadeiras intenções e alcança tais proporções, magnetiza o público com total controle. Algumas ações, estendidas ou mostradas de outros ângulos, mudam o destino da obra, tudo é calculado aqui. A protagonista tem um bom desenvolvimento de personagem, há belíssimas imagens, e o sexo explorado em várias de suas facetas. Embora tenha uma longa duração, é fácil de se acompanhar. Humano e surpreendente.

Nota: 7.3

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Simplesmente acontece (2015): Crítica

Esse filme me chamou a atenção pela grande quantidade de fãs que carrega. Pois num gênero de certa forma saturado, é um dos grandes destaques de sua geração. A história, em essência, comove: um amor que existe desde a infância, e que apesar de todos os anos e dificuldades para que se materialize, ele resiste. É muito tênue no tratamento do amor, e também, impetuoso em suas passagens de tempo, entrecortadas com belas imagens.

A relação dos protagonistas é muito boa, há uma boa química entre eles, transitando entre momentos engraçados e românticos com fluidez. Há de se destacar também os personagens secundários, que também carregam uma força narrativa para impulsionar o filme. O filme perde um pouco o fôlego, e todas as suas voltas não parecem muito reais, mas se alavanca na dramaticidade e fecha numa nota alta.

Nota: 8.5

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quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Penetras Bons de Bico: Crítica


Comédia de primeira

O filme já inicia mostrando a que veio: tira gargalhadas nos primeiros minutos e mostra a ótima química entre John Beckwith (Owen Wilson) e Jeremy Klein (Vince Vaughn), protagonistas do longa.

Os dois entram de penetra em vários casamentos usando nomes falsos, para pegar mulheres, já que nessas condições elas estariam mais suscetíveis à novas experiências. Temos então outra parte muita inspirada: toda a sequência que introduz as táticas e aventuras da dupla é bastante engenhosa e engraçada, sabendo a hora de acelerar suas cenas e esticá-las, de se repetir e acrescentar.

Finalmente chegamos no casamento principal, que seria o último da "temporada de casamentos", da filha do Secretário do Tesouro Americano. John então se apaixona pela irmã da noiva, se beneficiando de suas habilidades galanteadoras para tentar conquistá-la. A amada em questão, por sinal, não é umas dessas patricinhas de outros filmes do gênero, mas tem um senso de humor desajustado, sarcástica também, sem noção às vezes e com um ar de loucura em sua personalidade.

O enredo não parece grande coisa, mas o modo com que se faz é que o torna tão especial. Primeiro pelo bom controle de tempo: a maior parte do filme se passa em dois dias, o que o deixa ainda mais orgânico. Há também um bom uso de personagens excêntricos para ornamentar a trama e o bom contraste entre John e Jeremy, que equilibra e dinamiza o filme. 

O filme aborda temas pesados, até toscos, mas sempre a serviço do humor e de uma forma operante, o que faz com que ganhe sinal verde naquilo que poderia ser bizarro. Há momentos sentimentais bem dosados e bem pulverizados, sempre orbitando a comédia. Há boas evoluções de relações e de personagens. Também faz uma boa análise para que os canalhas protagonistas sejam compreendidos e gerem empatia com o público.

Algumas tomadas de decisões e atitudes não parecem reais, mas o filme nem tem essa intenção. Tirando algumas pinceladas de ideias sobre o amor, a velhice e o autoconhecimento, não propõe reflexões, nem é uma dessas obras que deixa o espectador por dias pensando naquilo que assistiu, mas cumpre bem sua missão de divertir nos seus mais de 100 minutos que passam voando.

É um filme muito bem escrito. Quando caminha para as revelações inevitáveis, o filme faz bem naquilo que mostra e sugere, nos poupando de uma vergonha alheia. O roteiro conta com algumas facilitações narrativas mas até elas tornam a história mais empolgante. Também é satisfatório, sendo um daqueles filmes leves e gostosos de se acompanhar. 

Há um dentre os outros estereótipos da trama que pode soar como um desserviço à causa das minorias, mas o filme não quer ser levado a sério nem contribuir em quadros sociais, sendo essa personagem bem utilizada naquilo que propõe.

O final parecia caminhar para algo mais clichê e por que não sem graça, mas mesmo chegando aos mesmos resultados, o faz com elegância, indo e vindo com quebras de expectativa. Preciso destacar também uma boa participação do Will Ferrel. É sobre o amor mas também sobre a amizade. Grata surpresa. 

Nota: 10.0

Direção: David Dobkin
Roteiro: Steve Faber, Bob Fisher
Gênero: Comédia / Romance
Origem: Estados Unidos

Duração: 119 minutos

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Blade Runner 2049 estreia amanhã no Brasil

Dia 05 de Outubro chega às telonas a continuação do clássico "Blade Runner- O Caçador de Androides". Lançado em 1982, o longa de Ridley Scott acompanha a saga de Deckard (Harrison Ford), um policial que caça e extermina replicantes: humanos criados artificialmente. O filme foi bem recebido pela crítica (o que lhe rendeu duas indicações ao Oscar) e acumulou vários fãs ao longo das décadas.

35 anos depois, sua sequência deve expandir o universo futurista que foi mostrado no primeiro filme, com o personagem de Harrison Ford ainda em cena, e novas figuras de peso, com Ryan Gosling (La La Land) e Jared Leto (Clube de Compras Dallas) no elenco.

No roteiro, o filme conta com Ridley Scott, Hampton Fancher (que também estava no roteiro de 1982), e Michael Green, que entre outros roteiros, colaborou em "Logan" (2017) e "Lanterna Verde" (2011). Lembrando que o mundo imagético do filme é inspirado no livro "Androides sonham com ovelhas elétricas?" de 1968, escrito por Philip K. Dick.

"Blade Runner 2049" é dirigido pelo canadense Denis Villeneuve, um dos grandes cineastas da nova geração. Concorrente no último Oscar com "A Chegada", também fez grandes filmes como "O Homem Duplicado" (2013), "Os Suspeitos" (2013) e "Incêndios" (2010).