Comédia de primeira
O filme já inicia mostrando a
que veio: tira gargalhadas nos primeiros minutos e mostra a ótima química entre
John Beckwith (Owen Wilson) e Jeremy Klein (Vince Vaughn), protagonistas
do longa.
Os dois entram de penetra em
vários casamentos usando nomes falsos, para pegar mulheres, já que nessas
condições elas estariam mais suscetíveis à novas experiências. Temos então
outra parte muita inspirada: toda a sequência que introduz as táticas e aventuras
da dupla é bastante engenhosa e engraçada, sabendo a hora de acelerar suas
cenas e esticá-las, de se repetir e acrescentar.
Finalmente chegamos no
casamento principal, que seria o último da "temporada de casamentos",
da filha do Secretário do Tesouro Americano. John então se apaixona pela irmã
da noiva, se beneficiando de suas habilidades galanteadoras para tentar
conquistá-la. A amada em questão, por sinal, não é umas dessas patricinhas de
outros filmes do gênero, mas tem um senso de humor desajustado, sarcástica
também, sem noção às vezes e com um ar de loucura em sua personalidade.
O enredo não parece grande
coisa, mas o modo com que se faz é que o torna tão especial. Primeiro pelo bom
controle de tempo: a maior parte do filme se passa em dois dias, o que o deixa
ainda mais orgânico. Há também um bom uso de personagens excêntricos para
ornamentar a trama e o bom contraste entre John e Jeremy, que equilibra e
dinamiza o filme.
O filme aborda temas pesados,
até toscos, mas sempre a serviço do humor e de uma forma operante, o que faz
com que ganhe sinal verde naquilo que poderia ser bizarro. Há momentos
sentimentais bem dosados e bem pulverizados, sempre orbitando a comédia. Há
boas evoluções de relações e de personagens. Também faz uma boa análise para
que os canalhas protagonistas sejam compreendidos e gerem empatia com o
público.
Algumas tomadas de decisões e
atitudes não parecem reais, mas o filme nem tem essa intenção. Tirando algumas
pinceladas de ideias sobre o amor, a velhice e o autoconhecimento, não propõe
reflexões, nem é uma dessas obras que deixa o espectador por dias pensando
naquilo que assistiu, mas cumpre bem sua missão de divertir nos seus mais de
100 minutos que passam voando.
É um filme muito bem escrito.
Quando caminha para as revelações inevitáveis, o filme faz bem naquilo que
mostra e sugere, nos poupando de uma vergonha alheia. O roteiro conta com
algumas facilitações narrativas mas até elas tornam a história mais empolgante.
Também é satisfatório, sendo um daqueles filmes leves e gostosos de se
acompanhar.
Há um dentre os outros
estereótipos da trama que pode soar como um desserviço à causa das minorias,
mas o filme não quer ser levado a sério nem contribuir em quadros sociais,
sendo essa personagem bem utilizada naquilo que propõe.
O final parecia caminhar para
algo mais clichê e por que não sem graça, mas mesmo chegando aos mesmos
resultados, o faz com elegância, indo e vindo com quebras de expectativa.
Preciso destacar também uma boa participação do Will Ferrel. É sobre o amor mas
também sobre a amizade. Grata surpresa.
Nota: 10.0
Direção: David Dobkin
Roteiro: Steve Faber, Bob
Fisher
Gênero: Comédia / Romance
Origem: Estados Unidos
Duração: 119 minutos