quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Penetras Bons de Bico: Crítica


Comédia de primeira

O filme já inicia mostrando a que veio: tira gargalhadas nos primeiros minutos e mostra a ótima química entre John Beckwith (Owen Wilson) e Jeremy Klein (Vince Vaughn), protagonistas do longa.

Os dois entram de penetra em vários casamentos usando nomes falsos, para pegar mulheres, já que nessas condições elas estariam mais suscetíveis à novas experiências. Temos então outra parte muita inspirada: toda a sequência que introduz as táticas e aventuras da dupla é bastante engenhosa e engraçada, sabendo a hora de acelerar suas cenas e esticá-las, de se repetir e acrescentar.

Finalmente chegamos no casamento principal, que seria o último da "temporada de casamentos", da filha do Secretário do Tesouro Americano. John então se apaixona pela irmã da noiva, se beneficiando de suas habilidades galanteadoras para tentar conquistá-la. A amada em questão, por sinal, não é umas dessas patricinhas de outros filmes do gênero, mas tem um senso de humor desajustado, sarcástica também, sem noção às vezes e com um ar de loucura em sua personalidade.

O enredo não parece grande coisa, mas o modo com que se faz é que o torna tão especial. Primeiro pelo bom controle de tempo: a maior parte do filme se passa em dois dias, o que o deixa ainda mais orgânico. Há também um bom uso de personagens excêntricos para ornamentar a trama e o bom contraste entre John e Jeremy, que equilibra e dinamiza o filme. 

O filme aborda temas pesados, até toscos, mas sempre a serviço do humor e de uma forma operante, o que faz com que ganhe sinal verde naquilo que poderia ser bizarro. Há momentos sentimentais bem dosados e bem pulverizados, sempre orbitando a comédia. Há boas evoluções de relações e de personagens. Também faz uma boa análise para que os canalhas protagonistas sejam compreendidos e gerem empatia com o público.

Algumas tomadas de decisões e atitudes não parecem reais, mas o filme nem tem essa intenção. Tirando algumas pinceladas de ideias sobre o amor, a velhice e o autoconhecimento, não propõe reflexões, nem é uma dessas obras que deixa o espectador por dias pensando naquilo que assistiu, mas cumpre bem sua missão de divertir nos seus mais de 100 minutos que passam voando.

É um filme muito bem escrito. Quando caminha para as revelações inevitáveis, o filme faz bem naquilo que mostra e sugere, nos poupando de uma vergonha alheia. O roteiro conta com algumas facilitações narrativas mas até elas tornam a história mais empolgante. Também é satisfatório, sendo um daqueles filmes leves e gostosos de se acompanhar. 

Há um dentre os outros estereótipos da trama que pode soar como um desserviço à causa das minorias, mas o filme não quer ser levado a sério nem contribuir em quadros sociais, sendo essa personagem bem utilizada naquilo que propõe.

O final parecia caminhar para algo mais clichê e por que não sem graça, mas mesmo chegando aos mesmos resultados, o faz com elegância, indo e vindo com quebras de expectativa. Preciso destacar também uma boa participação do Will Ferrel. É sobre o amor mas também sobre a amizade. Grata surpresa. 

Nota: 10.0

Direção: David Dobkin
Roteiro: Steve Faber, Bob Fisher
Gênero: Comédia / Romance
Origem: Estados Unidos

Duração: 119 minutos

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